I’ve tried the US health system

Ler em Português
Read in English

Já todos nós passamos pela dolorosa experiência de ter uma dor de dentes – se nunca tiveram uma, sintam-se abençoados. Já não tinha uma há anos e, digamos, não tinha saudades nenhumas mas eis que os deuses dos dentinhos se viraram contra mim e mandaram vir uma daquelas que não desejo a ninguém. Passei a noite a dormir uns 5min de cada vez que aquilo parecia apaziguar e, de manhã, decidi que tinha – mesmo – que ir ao dentista pois viria o final de semana e feriado e se a dor continuasse não havia ninguém que pudesse ajudar.

Fui ao website do seguro de saúde, pesquisei por dentistas e tentei escolher um que tivesse boas reviews que nisto de médicos sou picuinhas. Liguei para alguns, sem disponibilidade, até que consegui que me atendessem no mesmo dia.

Saí de casa e lá fui eu. Preenchi mil papéis, por ser nova paciente, e fui chamada. A assistente do dentista tirou-me mil e um raio x com instrumentos nunca usados no dentista em Portugal ou Londres, e entretanto o dentista veio mostrá-los e fazer uma avaliação dos mesmos. Pois que os 4 dentes que desvitalizei em Portugal, quando ainda era uma adolescente, foram TODOS mal desvitalizados. Eu já sabia que um deles tinha sido mal feito quando, por causa de uma dor de dentes em Londres, me tive que dirigir a um dentista – português, quando possível opto pelos nosso profissionais de saúde que, regra geral, são decentes (a minha dentista original já estou a ver que não) – e ele me mostrou como aquele dente não foi completamente desvitalizado.

O senhor dentista diz-me que podemos tratar 2 cavidades e fazer uma limpeza mas que os dentes que foram mal desvitalizados teriam que ser vistos por um endodôntico. A senhora vem explicar os valores do tratamento das cavidades e limpeza e, ao olhar para a lista enorme que ela tinha na mão, já me estava a doer na alma. O que teria que pagar, se quisesse prosseguir, seriam 263 dollars. Uffa! – pensei eu – not so bad. Quando vejo o detalhado, o seguro pagou 580 dollars e, leiam bem, se não tivesse seguro, pagaria 2800 dollars!

Quanto aos dentes que não foram bem desvitalizados, esses vão ser pagos a ouro, quase de certeza. Estou para ver que valores me oferecem e quanto o seguro paga.

O serviço, posso-vos dizer que foi óptimo, não só me deram uma boa dose de anestesia – no UK nunca deram – até me mediram a pulsação antes de começar. O médico ainda disse que, se sentisse dor num dos dentes que ele arranjou, para voltar no mesmo dia pois queria garantir que não passava o fim-de-semana e feriado com dores.

E foi esta a minha primeira experiência no dentista nos States. Se estão curiosos pelo próximos capítulos, fiquem por aí que a seguir vem o endodôntico.

Continue Reading

TAG – Xmas

Ler em Português
Read in English

Já devem estar fartinhos de ver esta TAG por aí mas eu não podia deixar de participar uma vez que a Sofia, do Crónicas de Salto Alto, me nomeou – obrigadooooo!

O meu filme de Natal preferido: bem, não ligo nenhuma a esta secção de filmes mas diria o Sozinho em Casa por ser aquele filme obrigatório e que todos vimos quando éramos mais novos.

Onde costumas passar o Natal: quando viva em Portugal, passávamos nos meu avós mas desde que emigrei que fazemos uma coisa pequenina só para nós os dois.

Qual é a tua música de Natal favorita: “Baby it’s cold outside”, das milhentas músicas que passam nesta altura, esta soa-me sempre bem.

Abres os presentes na véspera de Natal: sim, sempre abrimos os presentes na véspera.

Por que tradição estás mais ansiosa este Natal: É a primeira vez que vou estar a celebrar o Natal umas horas depois da restante família pois estar a viver nos Estados Unidos tem destas coisas engraçadas.

Tens uma árvore de Natal verdadeira ou falsa: sendo os preços das artificias super inflacionados, não sei porquê, este ano, pela primeira vez, compramos uma árvore verdadeira e devo dizer que se sempre fui meia contra pois achava-as um bocado feias, estou super fã e são muito giras.

Qual é o teu doce/comida favorita no Natal: só mesmo o Pão-de-ló e um bom queijinho.

Sê honesto, preferes dar ou receber presentes: prefiro dar mas acho super entusiasmante o desembrulhar portanto não me importo nada de receber.

Qual foi o melhor presente que recebeste: todos os presentes que o homem me dá. Primeiro porque ele é bom a escolher prendas e depois porque nunca faço ideia do que será e eu gosto que assim seja.

Qual é o teu lugar de sonho para visitar no Natal: Já passei muitos Natais no clima de Portugal, já passei mais uns quantos em Londres e, pela primeira vez, vou passar no Texas, portanto não me posso queixar! Muitos de vocês dizem Nova Iorque por causa da neve mas deixem que vos diga que a neve não é tão espectacular como mostra nos filmes. É bonito vê-la quando começa a nevar e pronto, só isso.

Momento mais memorável das férias de Natal: para ser sincera, nenhum. Nunca foi uma época que significasse muito para a minha família- somos uns tristes ahahhaha

Como é que soubeste a verdade sobre o Pai Natal: nem sequer me lembro se algum dia acreditei no Pai Natal.

És uma pro a embrulhar presentes ou um fail completo: Sou uma pro. Sempre tive jeito para as artes manuais e é sempre com muita dedicação que faço os embrulhos.

Não nomeio ninguém pois a maioria já foi nomeado e já publicou um post semelhante mas, se estão desse lado e ainda não partilharam as vossas respostas, sintam-se nomeados e bora participar!

Continue Reading

The weirdest interview ever


Ler em Português
Read in English

Já vos tinha dito que me candidatei a dois bancos e falei-vos da primeira entrevista. Deste segundo banco não ouvi nem coisas boas nem coisas más, mas, no geral, as pessoas diziam que era um sítio agradável de trabalhar.

Lá vou eu à entrevista, esta que viria a ser a mais estranha da minha vida.

O sítio: digamos que não era o mais indicado e, depois de comentar com o homem que o interior do banco tinha muito mau aspecto, este ao falar com pessoas no trabalho dele, confirma que o sítio onde o banco se encontra é um grande DON’T GO THERE. Pessoas, não se assustem, eu sobrevivi! Aparentemente, o banco está numa zona onde há vários gangues e problemas com frequência portanto é mesmo evitar.

As pessoas: tinham aspecto muito descuidado – uma maneira fofinha de dizer que cheiravam mal – e quase não se falava inglês pois a maioria da comunidade daquele sítio fala espanhol – disse o manager na entrevista.

Os empregados: cada um mais estranho que o seguinte. Desde os looks – calças de ganga, casaco de cabedal e botas até ao joelho – à menina que sai de trás do balcão de chinelo de dedo.

A entrevista: o manager daquela branch, a senhora do casaco de cabedal e uma outra pelo telefone, fizeram-me a entrevista durante cerca de 1h – quando eu já havia esperado 1h para ser entrevistada. Eu parecia a única pessoa civilizada no meio daquela selva. O escritório estava a meter nojo, a senhora do casaco de cabedal não largava a sua caneca de água – do tamanho da bebida maior do McDonald’s – e o sr.manager ia pegando no seu telemóvel, interrompendo o processo de entrevista.

Saí de lá naquela do “nem que me paguem valores astronómicos eu vou trabalhar num sítio destes”.

Desde o início que faltou muita profissionalidade por parte dos entrevistadores e a localização do banco.. já sabem!

Engraçado é que não não fui seleccionada para Teller neste banco, mas foi-me oferecida a posição de Lead Teller no banco que vos falei neste post, bem mais conceituado.

Há uns dias recebi email dos recrutadores a pedir para me candidatar novamente, sure. Valeu pela experiência e serviu para rir um bocadinho. Espero que não seja um problema deste banco mas sim daquele sítio em particular.

Continue Reading

Job Interviews

Ler em Português
Read in English

Das primeiras coisas que fiz, assim que recebi o EAD, foi começar à procura de trabalho. Esta pesquisa focou-se, maioritariamente, em posições de teller ou lead teller em bancos – ou seja, balcão ou responsável dessa área – pois já havia exercido a primeira e sempre quis ser promovida para a seguinte.

Porque o mais importante para mim era mesmo arranjar trabalho, submeti umas quantas candidaturas para outras áreas para ver se dava qualquer coisa, nem que fosse só para desenrascar – que estar em casa não é assim tão espectacular como muita gente o faz parecer.

Comecei, finalmente, a receber emails e chamadas para comparecer em entrevistas. Fiz uma entrevista para a qual nunca recebi feedback, fui a duas entrevistas para dois bancos distintos e a uma para uma empresa em IT. A primeira foi num banco do qual só ouvia boas críticas, não só como sendo um bom sítio para trabalhar mas também um bom sítio para se ser cliente. Foi, então, super contente que me dirigi para a entrevista.

Esta foi feita, apenas, com uma representante dos Recursos Humanos que no dia seguinte me ligou a dizer que estava na próxima fase: uma entrevista com um dos managers.

Uns dias antes, reparei que havia uma vaga de Lead Teller no website e quando estava na entrevista com o manager disse-lhe que isso era o que gostava de fazer, embora estivesse a ser entrevistada para posição de Teller, ao que prontamente me respondeu “estás a ser entrevistada para qualquer posição”. Saí de lá com a oferta de Lead Teller e pronta para dar início a todos os background checks necessários – que viriam a ser uma dor de c* enorme pois a empresa não faz background checks internacionais.

Isto significa que eu mesma tive de pedir provas dos empregos anteriores no UK e certificados escolares. O mais demorado foi conseguir o certificado – viva os serviços públicos em Portugal!

Enquanto esperava pelo certificado, fiz uma entrevista para uma empresa de IT, esta que depois me contactou com uma oferta que batia o que o banco me poderia oferecer.

É aqui que vem o ridículo: a maioria das empresas no EUA oferecem uma quantia mínima de dias de férias aos empregados e, no máximo, contribuem com um bocado para o vosso seguro de saúde – uma coisa muito importante, visto que não é um serviço grátis. O banco oferecia-me 5 dias de férias por ano, sim, leram bem, e eu pagaria cerca de $150 por ordenado (ou seja $300, pois pagam de duas em duas semanas) para o meu seguro de saúde.

A empresa de IT oferece-me 180h de férias, bastante mais, e só pago $20 pelo meu seguro de saúde. E, pela primeira vez em muuuuuuuitos anos, tenho um emprego de segunda a sexta – no banco seria rotativo.

Pode parecer-vos estranho estar a entrar numa área que é completamente nova, mas garanto-vos que além dos benefícios óbvios, o meu objectivo é aprender um ramo do IT – o qual já estou a fazer – e, rapidamente, mover-me em direcção a essa mesma área.

Eu sou daquelas pessoas que não gosta de estar estagnada no emprego, por muito confortável que o assento seja, portanto isto é mesmo uma oportunidade de construir uma carreira ao invés de esperar por promoções em bancos.

Continue Reading